Um dos primeiros textos de Rosa Luxemburgo, ela tinha 23 anos quando escreveu...
Quais São as Origens do Dia dos Trabalhadores?
Rosa Luxemburgo
Fevereiro 1894
Primeira Edição: Primeira publicação em polonês no Sprawa Robotnicza.
Fonte: Selected Political Writings of Rosa Luxemburg, tr. Dick Howard, Monthly Review Press, 1971, pp. 315-16..
Tradução: Juliana Danielle. (traduzido da versão em inglês existente no MIA)
HTML: Fernando A. S. Araújo.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.
A feliz idéia de usar a celebração de um feriado proletário como um meio para alcançar a jornada de trabalho de oito horas diárias nasceu na Austrália. Os trabalhadores decidiram, em 1856, organizar um dia de completa paralização juntamente com assembléias e entretenimento como uma manifestação a favor da jornada de oito horas diárias. O dia desta celebração era para ser 21 de abril. Inicialmente, os trabalhadores australianos pretendiam que isto só acontecesse em 1856, mas esta primeira celebração teve um efeito tão forte nas massas proletárias da Austrália, avivando-os e levando a uma nova agitação, que foi decidido repetir a celebração todo ano.
Na verdade, o que poderia dar aos trabalhadores mais coragem e fé em sua própria força que uma paralização do trabalho em massa, a qual eles mesmos decidiram? O que poderia dar mais coragem para os eternos escravos das fábricas e oficinas do que a reunião de suas próprias tropas? Assim, a idéia de uma celebração proletária foi rapidamente aceita e, da Austrália, começou a se espalhar para outros países até finalmente conquistar todo o mundo proletário.
Os primeiros a seguirem o exemplo dos trabalhadores australianos foram os americanos. Em 1886 eles decidiram que o dia 1° de maio deveria ser o dia universal da paralização do trabalho. Neste dia, 200.000 deles deixaram seus trabalhos e exigiram a jornada de oito horas diárias. Tempos depois, a polícia e o assédio legal impediram os trabalhadores por muitos anos de repetir esta manifestação [em tal magnitude]. Entretanto, em 1888 eles renovaram sua decisão e decidiram que a próxima celebração seria no dia 1° de maio de 1890.
Enquanto isso, o movimento dos trabalhadores na Europa tinha se fortalecido e se animado. A expressão mais poderosa deste movimento ocorreu no Congresso Internacional dos Trabalhadores em 1889. Neste Congresso, que contou com a presença de quatrocentos representantes, foi decidido que a jornada de oito horas deveria ser a primeira exigência. Foi então que o representante dos sindicatos franceses, o trabalhador Lavigne de Bordô, propos que esta exigência fosse expressa em todos os países através de uma paralização universal do trabalho. O representante dos trabalhadores americanos chamou a atenção para a decisão de seus camaradas de entrar em greve no dia 1° de maio de 1890 e o Congresso decidiu que esta data seria a da celebração universal dos proletários.
Neste caso, como há trinta anos atrás na Austrália, os trabalhadores realmente pensaram em uma manifestação que ocorresse uma só vez. O Congresso decidiu que os trabalhadores de todas as terras manifestariam-se juntos pela jornada de oito horas no dia 1° de maio de 1890. Ninguém falou de uma repetição do feriado para os próximos anos. Naturalmente, ninguém poderia prever a enorme rapidez com a qual esta idéia iria triunfar e como iria ser adotada pelas classes trabalhadoras tão rapidamente. No entanto, foi suficiente celebrar o Dia dos Trabalhadores apenas uma vez para todos entenderem e sentirem que o Dia dos Trabalhadores deveria ser uma tradição contínua e anual [...].
O primeiro de maio exige a introdução da jornada de oito horas. Mas mesmo depois desse objetivo ter sido alcançado, o Dia dos Trabalhadores não foi deixado para trás. Enquanto a luta dos trabalhadores contra a burguesia e a dominação de classe continuar, enquanto todas as exigências não forem conseguidas, o Dia dos Trabalhadores será a expressão anual destas exigências. E quando melhores dias raiarem, quando a classe trabalhadora do mundo tiver ganho sua liberdade, então a humanidade provavelmente irá celebrar o Dia dos Trabalhadores em honra às mais amargas lutas e aos muitos sofrimentos do passado.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
domingo, 30 de maio de 2010
Grito
http://blogs.mail.ru/mail/bugerave?skip=201004070836006E41BFE422175D31&type_filter=
Grito
‘Seria preciso’;
se fosse possível,
‘escrever uma estória dura como aço’;
ou até bastante mais: diamantes africanos;
‘que envergonhasse os homens de sua existência’.
Seria.
Mas qual o espanto do ouropeu
ao descobrir que se o “índio” não se envergonhava de sua nudez
era porque pra ele ‘tudo é rosto’,
haveria agora estranheza
ao se perceber que já não há vergonha,
porque já não há rostos:
tudo é máscara.
Seria preciso ainda
que essa estória fosse lida,
que se a compreendesse,
que dela se seguissem práticas.
¿Mas como escrêve-la,
se as palavras são sempre outras,
todo o tempo.
¿Como compreendê-las,
se já não tem sentido,
apenas preço.
¿Mas como agir,
se já não restam meios,
chegou-se ao fim.
No coração da Europa,
Como ‘en el alto de los Andes’,
E nas minas do Congo ou de Nanling
Em Trenchtown e nas margens do Ganges,
Tudo isso se deu a conhecer.
Sabe-se agora que tudo que resta é a fé,
da humanidade a maior benção,
a maior maldição.
da dura estória,
sobrou o grito.
um grito que abale toda a fé.
¿Mas haverá ainda ouvidos?
à Robert Sutterlütti (1957-2009)
in memoriam
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Falando Em Drummond
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações
não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro,
fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da_
cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia,
o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina,
abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes_
de sinistras bibliotecas.
Amas a noite_
pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo,
os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar_
prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino,
em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro_
e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito,
muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso,
tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra,
o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho,
dinamitar a ilha de Manhattan.
Carlos Drummond de Andrade
onde as formas e as ações
não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro,
fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da_
cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia,
o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina,
abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes_
de sinistras bibliotecas.
Amas a noite_
pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo,
os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar_
prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino,
em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro_
e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito,
muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso,
tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra,
o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho,
dinamitar a ilha de Manhattan.
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 31 de outubro de 2009
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